quarta-feira, 23 de maio de 2018

QE, 24 de Maio. José Navarro de Andrade interpreta: "Life, Liberty and the pursuit of Happiness"

Jefferson's "original Rough draught" is on exhibit in the Library of Congress.[4] This version was used by Julian Boyd to create a transcript of Jefferson's draft,[5] which reads:
We hold these truths to be sacred & undeniable; that all men are created equal & independent, that from that equal creation they derive rights inherent & inalienable, among which are the preservation of life, & liberty, & the pursuit of happiness.
The Committee of Five edited Jefferson's draft. Their version survived further edits by the whole Congress intact, and reads:[6]

We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal, that they are endowed by their Creator with certain unalienable Rights, that among these are Life, Liberty and the pursuit of Happiness.

TFA, 22 e 24 de Maio. Sen. Ep. 58.


“O género daquelas coisas que existem no sentido habitual e que   começa a dizer-nos respeito (genus[esteorumquaecommuniter  sunthaecincipiuntad nos pertinere). “O sexto género é o daquelas   coisas que são quasecoisas, como o são o vazioo tempo   (Sextumgenuseorumquaequasisunttamquaminane, tamquamtempus). 
Noque quer que vejamos ou no que quer que toquemos, diz Platão,  não existeo que ele acha que propriamente é ser.Porquanto,estão   em fluxo e num contínuo aumento e diminuição (Quaecumque  videmusauttangimusPlatoinillisnon numeratquaeesse proprie  putatfluuntenimetinassiduademintuioneatqueadiectionesunt).” 
“Nenhum de nós é na velhice o mesmo que foi na juventude; nenhum   de nós é nesta manhã o mesmo que foi no dia anterior. Os nossos   corpos são levados como as correntes dos rios. O que quer que vejas,   corre com o tempo, nenhum dos entes que vemos permanece. Eu   próprio, enquanto digo que estas coisas se alteram, me alterei.   (Nemonostrumidem estinsenectutequifuitiuuenisnemonostrum  estidem mane, quifuitpridie. Corpora nostrarapiunturfluminum  more. Quicquiduidescurritcumtemporenihilexhisquaeuidemus  manet: ego ipse, dum loquormutariistamutatussum.).
“Isto é o que Heraclitoafirma: no mesmo rio não podemos descer e   não descer duas vezes. Permanece, com efeito o nome do mesmo rio,   mas a água trespassou. Isto é mais patente no rio do que no ser   humano, mas também a nós um curso não menos veloz nos torna   passado. E por isso me espanta a nossa loucura que amamos tempo a   coisa mais fugaz que existe, o corpo e temos medo de vir a morrer   um dia, quando cada momento presente é a morte do momento tido   anteriormente: queiras tu não temer o que um dia acontecerá,   quando está continuamente a acontecer. [hoc estquodaitHeraclitus  inidem flumenbis descendimusetnon descendimus’. Manetenim  idem fluminisnomenaquatransmissaest. Hoc inamnemanifestius  estqua inhominesednos quoquenon minusueloxcursos   praeteruehitetideoadmirordementiammostram, quodtantopere  amamusrem fugacissimam, corpus, timemusquenequando   moriamurcumomnemomentummorspriorishabitussituistu non   timerenesemelfiatquodcotidiefit!
“Eu disse sobre o ser humano matéria fluida e caduca e vulnerável a todasinfluências. Também o mundo, que é uma coisa eterna e inviolável, muda e não permanece o mesmo. Ainda que todas as coisascom efeito se comportem como se tem comportado,   comportam-se de maneira diferente de como se comportaram. Alterama ordem. [De hominedixifluuidamatéria etcaduca etomnibusobnóxiacausismundusquoqueaeternaresetinuicta  mutaturnecidem manetQuamuiseinimomniainse habeatquae  habuitaliterhabetquamhabtuitOrdinemmutat.]”.
No §6, Séneca propõe a tradução de ousiapor essentiaresnecessarianatura continensfundamentumomnium. Em 7, to oné traduzido por “quodest”. E definem-se em 8 seis modos de ser atribuídos a Platão por um amigo que Séneca deixa incógnito. 
O primeiro modo é o género.Dele dependemtodas as espécies, exquo ceteraespeciessuspensaesunt.Do géneronasce toda a divisão, na qual todas as coisas universalmente estão contidas, a quo nascituromnisdiuisio, quouniuersacomprensasunt. Em 8, as espécies são identificadas: ser humano, ser cavalo, ser cão. Relativamente a estas espécies há algo de comum que lhes serve de vínculo, aliquodomnibusuinculum. Ser animal. 
Em 12 vemos a especificação desde a diferença genérica até à diferença específica e individual no humano, que é uma diferença no reino animal: O ser humano contem em si diferenças específicas que são as diferentes nações: Gregos, romanos, persas, diferentes cores: brancos, pretos, amarelos. Há também seres singulares: Catão, Cícero, Lucrécio. O que é, então,o mais geral e não tem nada acima de si?É o princípio de todas as coisas. Todas as coisas caem sob ele: illudgenusquodestestgenerale, supra se nihilhabetinitiumrerumestomniasubillosunt
Do ponto de vista platónico, diz Séneca no §18 as coisas que propriamente são pertencem a um género determinado. São inumeráveis mas postas fora do nosso olhar: innumerabiliahaexsuntsedextra nostrumpostiaconspectum. Platão chama-lhes ideias: exquibusomniaquaecumqueuidemusfiuntetad quascunctaformantur. Mas são inmortalesinmutabilesinuiolabilies. 19:ideaesteorumquaenatura fiunt, exemplar aeternum
Se olhamos para coisas que tocamos em vista de ideias e a partir de ideias, qual é a relação que temos com ideias? Que tipo de relação há entre o paradigma eterno e as coisas que são mortais, mutáveis violáveis (18)?nosso ponto de vista acede apenas a eidê, a idos (20).
Todas as coisas são imaginárias e mostram num tempo determinado   apenas uma qualquer face. Nada há nelas que seja estável ou sólido  E nós, contudo, desejamos avidamente essas mesmas coisas, como se   estivessem sempre para ser e nós sempre na iminência de as termos.   E nós fracos e perecíveis pomos os pés em coisas vãs, mas temos   antes de enviar o espírito para aquelas coisas que são eternas: Ergo   istaimaginaria suntetad tempusaliquamfaciemferuntnihilhorum  stabilenecsolidumestetnos tamencumpimustamquamaut  sempre futura autsempre habituriInbecillifluuidiqueinteruana  constitimus: ad illamittamusanimumquaeaeternasunt
Deus permanece em todas as coisas e cuida delas de antemão. O que   ele não pode tornar imortal, porque a matéria o proibiu, defendeu da   morte e superou o defeito do corpo com a razão: versanset  prouidensquemadmodumquaeimmortaliafacerenon potuitquia  matéria prohibebatdefendata morte acrationeuitiumcorporis  uincat. (27) Todas as coisas permaneceram com efeito, não porque   são eternas, mas porque são defendidas pelo cuidado daquele que as   rege. Na verdade, as coisas imortais não requerem tutor. É o grande   artifexque conserva este mundo ao superar a fragilidade da matéria   com o seu poder: haecconseruatartifexfragilitatemmateriaeui sua   uincens.  
Cada momento é a morte do estado precedente (omnemomentum  morspriorishabitussit), o que acontece quotidianamente (quod  cotidiefit) e não uma só vez (semel), na hora da nossa morte. 
Não há nada que seja suficiente para os que estão prestes a morrer,   melhor, para aqueles que estão efectivamentejá a morrer. A cada dia,   com efeito, estamos mais próximos do último[dia]todas as horas  empurra-nos precisamente para onde temos de cair. (Nihilsatisest  moriturisimmomorientibuscotidieenimpropiusabultimo stamuset  illoundenobisdadendumest, hora nos omnisimpellit). A nossa   cegueira, “inquanta caecitatemensnostrasit”, para este facto é tal   que não percebemos que o futuro, o que está para ser, acontece   justamente agora e uma parte grande do futuro já aconteceu: hoc   quodfuturumdico, cummáxime fitetparseiusmagna iam factaest.” 

sexta-feira, 18 de maio de 2018

QE, 17 de Maio

Heidegger, M., Ser e Tempo, §§54 e sgs.

TFA, 17 de Maio (Cont.)

AS PAIXÕES DA ALMA
25.1 DL 7.110-116
As paixões são juízos (ta pathêkriseis), pois a avareza é a suposição (hupolepsia) de que o dinheiro é algo nobre (kalon) e, de maneira semelhante, a embriaguez, a imoderação e as demais paixões. A dor é uma contracçãoirracional (lupêsustolêalogos), e as suas espécies são compaixão, inveja, ciúme, rivalidade, aflição, perturbação, desgosto, tristeza, confusão. 
MEDO 25.1 CONT.
O medo é a expectativa de um mal. Levam ao medo: alarme, hesitação, vergonha, susto, agitação, coacção. Alarme produz terror, a vergonha: má reputação, a hesitação: perante o decurso de uma acção, susto: apresentação de uma situação inabitual [súbito, repentino], agitação: medo acompanhado por alteração da voz, ansiedade: incerteza. 
APETITE, ibid.
O apetite (epithumia) é um desejo irracional, ao qual se subordinam as seguintes paixões: necessidade insatisfeita, ódio, amor pelo triunfo, ira, desejo erótico, cólera, ímpeto. Uma necessidade insatisfeita é um apetite que se dá num fracasso e que, como se encontra seperado seu objecto impõem-se e arrastar-se até ao vazio: ódio: vontade de que alguém passe mal, amor pelo triunfo: próprio de uma escola. Ira: desejo de vingança de alguém que parece ter sido injuriado injustamente. Desejo erótico: apetite que não se dá entre virtuosos, tendência para fazer amizade por causa de uma beleza manifesta. A cólera é uma ira antiga e vingativa, à espera de uma oportunidade. Ímpeto é uma ira que começa. 
DL, ibid.
 Ἡ δ’ ἐπιθυμία ἐστὶν ἄλογος ὄρεξις, ὑφ’ ἣν τάττεται καὶ
 ταῦτα· σπάνις, μῖσος, φιλονεικία, ὀργή, ἔρως, μῆνις, θυμός.ἔστι δ’ ἡ μὲν σπάνις ἐπιθυμία τις ἐν ἀποτεύξει καὶ οἷον κεχωρισμένηἐκ τοῦ πράγματος, τεταμένη δὲ διακενῆς ἐπ’ αὐτὸ καὶσπωμένη· μῖσος δ’ ἐστὶν ἐπιθυμία τις τοῦ κακῶς εἶναί τινι μετὰ προκοπῆς τινος καὶ παρατάσεως· φιλονεικία δ’ ἐπιθυμία τιςπερὶ αἱρέσεως· ὀργὴ δ’ ἐπιθυμία τιμωρίας τοῦ δοκοῦντος ἠδικηκέναιοὐ προσηκόντως· ἔρως δέ ἐστιν ἐπιθυμία τις οὐχὶ περὶ σπουδαίους· ἔστι γὰρ ἐπιβολὴ φιλοποιίας διὰ κάλλος ἐμφαινόμενον.μῆνιςδέ ἐστιν ὀργή τις πεπαλαιωμένη καὶ ἐπίκοτος, ἐπιτηρητικὴ δέ
PRAZER
O prazer é uma exaltação irracional sobre algo que parece que é elegível. Subordinam-se ao prazer: encantamento, prazer com o mal alheio, deleite, dissipação. 
Ἡδονὴ δέ ἐστιν ἄλογος ἔπαρσις ἐφ’ αἱρετῷ δοκοῦντι ὑπάρχειν,ὑφ’ ἣν  τάττεται κήλησις, ἐπιχαιρεκακία, τέρψις, διάχυσις. κήλησιςμὲν οὖν ἐστιν ἡδονὴ δι’ ὤτων κατακηλοῦσα· ἐπιχαιρεκακία δὲ ἡδονὴ ἐπ’ ἀλλοτρίοις κακοῖς· τέρψις δέ, οἷον τρέψις, προτροπή τις ψυχῆς ἐπὶ τὸ ἀνειμένον· διάχυσις δ’ ἀνάλυσις ἀρετῆς.
25.9 GALENO 
Todos os impulsos que se levam acabo, indo atrás da fúria ou do apetite, ainda que não assentem na razão, são ir-racionais

terça-feira, 15 de maio de 2018

TFA 15 e 17 de Maio

      Teoria da acção
      24.1 Estobeu, Ecl.2.86, 17-88
Dizem que o que põe o impulso (hormê) em movimento movimento (to kinoun) não é outra coisa senão a apresentação directamente impulsiva do que é devido (phantasia hormêtikê tou kathêkontos autothen). O Impulso (hormê) é, em sentido geral, um movimento da alma para algo (phora psuchês epi ti kata to genos), e considera-se que são suas espécies o impulso que se produz nos animais racionais e o que se produz nos irracionais
      Orecsis (intenção, desejo)
A orecsis (apetência, desejo, anseio, anelo), com é efeito, não é o impulso racional mas uma espécie de impulso racional, […] movimento da mente em direcção para algo no domínio da acção (phora dianoias epi ti tôn en tõi prattein)
      Aphormê (repulsão)
Repulsão, por outro lado, opõe-se ao impulso. É um certo movimento da mente que se afasta de algo no domínio da acção (phora dianoias epi ti tôn en tôi mê prattein). 
Apetição é uma espécie de impulso prático. E a apetição é um movimento da mente em direcção a algo futuro. 
      Espécies de impulso prático
Espécies de impulso prático: 
Propósito (prothesis: sêmoiôsis epiteleseôs, indicação de acabamento ou cumprimento, projecto (epibolê: hormê pro hormês, impulsão antes da impulsão), preparação (paraskeuê: pracsis pro pracseôs: acção antes de uma acção), empreendimento (enkheirêsis: hormê epi tinos en khersin êdê ontos), decisão (hairesis: boulêsis ecs analogismou, anseio a partir de uma reconsideração), anseio (boulêsis: eulogos orecsis), volição (thêlesis: hekousios boulêsis). 
      24.4 Filon, Leg. Alleg.1.30
A presentação constitui-se de acordo com a entrada do objecto externo que provoca uma impressão no entendimento através da percepção. O impulso, irmão da presentação, dá-se de acordo com a força tensional do entendimento, o qual, quando se estende através da percepção, entra em contacto com o objecto subjacente e vai até ele, tentando chegar a ele e abarcá-lo. 
      Phantasia kai hormê
Hê men oun phantasia sunistatai kata tên tou ektos prosodon tupountos noun di’ aisthêseôs, hê de hormê, to adelphon tês phantasias, kata tên tou nou tonikên dunamin, hên teinas di’ aisthêseôs haptetai tou hupokeimenou kai pros auto khôrei glichomenos ephikesthai kai sullabein auto.
      24.7 Caminhar
Clantes diz que é o espírito que se estira desde a parte condutora da alma até aos pés. Crísipo diz que é a própria parte condutora. Ambulatio: sspiritum esse a principali usque in pedes permissum, Chrysippus ipsum principale. 
      24.13 Epicteto, Ench. 2
Recorda que a promessa do desejo é a obtenção daquilo que desejas e a promessa da declinação é não te encontrares com aquilo que queres evitar. Aquele que falha no encontro com o que deseja não é feliz mas aquele que ao evitar e declinar algo se encontra com esse mesmo algo é infeliz. 
Orecsis: epangelia epitukhia hou oregê.
Ekklisis: epangelia to mê peripesein ekeinôi ho ekklinetai.
Ho men en orecsei apotunkhanôn atukhês
Ho de en ekklisei peripitôn dustukhês
Se, de entre as coisas que dependem de ti, evitas unicamente as que são contrárias à natureza, não cairás em nenhuma das coisas que evitas. Mas se evitas a doença, a morte ou a pobreza (coisas que se evita e declina mas com as quais nos encontramos e não são coisas que dependam de nós), és infeliz. Portanto, leva a tua declinação para longe de todas as coisas que não dependem de nós e muda o seu rumo para a direcção das coisas contrárias à natureza mas que dependem de nós. (aron oun tên ekklisin apo pantôn tôn ouk eph’ hêmin kai metathes epi ta para physin tôn eph’ hêmin)
Anula completamente o desejo, pois se desejas alguma das coisas que não dependem de nós, é necessário que falhes a obtenção das coisas que dependem de nós, e nenhuma das coisas que é belo desejar-se está ao teu alcance. Usa unicamente o impulso e a repulsão mas ligeiramente, isto é, com reserve e não de maneira rigorosa. 
Opondo-te a estas coisas, vencerás a phantasia, não serás arrastado por ela: oukh helkusthêsêi hup’ autês. Diz: “espera-me um pouco, fantasia, deixa que eu veja quem és e o que representas, deixa que te submeta à prova”. Hupo tês ocsutêtos mê sunarpasthêis: “ekdecsai me mikron, phantasia: aphes idô tis ei kai peri tinos, aphes se dikimasô ”
Não permitas que te leve pelo facto de que nela as coisas que se seguem aparecem perfeitamente delineadas, pois, pelo contrário, apoderando-se de ti, guiar-te-á até onde quiser. Impõe-lhe uma outra apresentação, bela e nobre, e desfaz esta sórdida. E se te acostumares a exercitar-te deste modo, verás que ombros, que tendões e que vigor se criam. […] És a pessoa que se treina, que se exercita: a que se treina a si mesma para enfrentar tais presentações. Mantém-te firme, infeliz, não te deixes arrastar! O combate é grande e a obra divina. É para bem de um reino e para bem da liberdade, do correcto fluir e da imperturbabilidade. 
μεῖνον, τάλας, μὴ συναρπασθῇς. μέγας ὁ ἀγών ἐστιν, θεῖον τὸ ἔργον, ὑπὲρ βασιλείας, ὑπὲρ ἐλευθερία ὑπὲρ εὐροίας, ὑπὲρ ἀταραξίας.